A Meditação do Dia - Gerson Borges

Ler é um exercício espiritual. O texto por excelência, a Bíblia, revela uma pessoa - Deus. Pessoas. Relacionamento. Vida. Eis o mundo da leitura! " Tome e Leia!" (Agostinho)

30.6.06

Guardanapos de papel

Pra teminar um dia , digamos, rico , uma canção que me inspira e toca a alma de poeta-profeta, artista-salmista... O autor é uruguaio mas o Milton gravou em português. Imago Dei.

Deus seja com vcs,

Gerson

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Guardanapos De Papel
(Léo Masliah )


Na minha cidade tem poetas, poetas,
Que chegam sem tambores nem trombetas, trombetas,
E sempre aparecem quando menos aguardados, guardados,guardados,
Entre livros e sapatos, em baús empoeirados.
Saem de recônditos lugares no ares, nos ares,
Onde vivem com seus pares seus pares, seus pares,
Seus pares e convivem com fantasmas multicores, de cores, decores,
Que te pintam as olheiras e te pedem que não chores
Suas ilusões são repartidas partidas, partidas,
Entre mortos e feridas, feridas, feridas,
Mas existem com palavras, confundidas, fundidas, fundidas,
Ao seu triste passo lento pelas ruas e avenidas.

Não desejam glorias nem medalhas, medalhas, medalhas,
Se contentam com migalhas, migalhas
Migalhas de canções e brincadeiras com seus versos dispersos,dispersos,
Obcecados pela busca de tesouros submersos.
Fazem quatrocentos mil projetos, projetos, projetos,
Que jamais são alcançados cansados, cansados,
Nada disso importa enquanto eles escrevem, escrevem, escrevem,
O que sabem que não sabem e o que dizem que não devem.
Andam pelas ruas os poetas, poetas, poetas,
Como se fossem cometas, cometas, cometas,
Num estranho céu de estrelas idiotas e outras, e outras,
Cujo brilho sem barulho veste suas caldas tortas.

Na minha cidade tem canetas, canetas, canetas,
Esvaindo-se em milhares, milhares,
Milhares de palavras retorcidas e confusas, confusas, confusas,
Em delgados guardanapos, feito moscas inconclusas.
Andam pelas ruas escrevendo e vendo, e vendo,
Que eles vêm nos vão dizendo, dizendo,
E sempre eles poetas de verdade enquanto espião e piram, e piram,
Não se cansam de falar do que eles juram que não viram.
Olham para o céu esses poetas, poetas, poetas,
Como se fossem lunetas, lunetas, lunáticas,
Lançadas ao espaço e o mundo inteiro, inteiro, inteiro,
Fossem vendo pra depois voltar pro Rio de Janeiro.

Livro da semana : Biografia de Vincent van Gogh


BIOGRAFIA DE VINCENT VAN GOGH POR SUA CUNHADA

Jo Van Gogh-Bonger


Reconhecido após a sua morte como um dos mais importantes pintores da sua e de outras épocas, Vincent van Gogh (1853-1890) teve uma vida sombria, perpassada por crises de loucura e depressão. Cartas a Théo (Coleção L&PM POCKET, vol. 21), que compila as cartas enviadas pelo pintor ao seu irmão, é um dos documentos mais importantes para se vislumbrar a relação vida-obra de Van Gogh. A esse livro vem agora se juntar Biografia de Vincent van Gogh por sua cunhada seguido de Cartas de Théo a Vincent e de Cartas a Émile Bernard.

Jo van Gogh-Bonger, mulher de Théo – responsável pela organização e manutenção de cartas e outros pertences de Vincent após a morte deste – revela, no seu texto, parte da história familiar dos Van Gogh e um retrato muito íntimo do futuramente ilustre cunhado. Em Cartas de Théo a Vincent, tem-se a contrapartida das conhecidas cartas a Théo; nelas, delineia-se o outro lado da relação fraterna, com toda influência que Théo exercia sobre o genial irmão, assim como todo apoio de que este necessitava.

E, por fim, em Cartas a Émile Bernard, são mostradas a lucidez e o conhecimento técnico de Vincent sobre a pintura – a dele e a de outros –, naquilo que foi uma troca intelectual com um dos mais célebres pintores da época, cuja opinião ele muito respeitava.

Com diversos prefácios e notas explicativas e de contextualização, Biografia de Vincent van Gogh por sua cunhada torna-se um dos documentos mais importantes e íntimos para a compreensão da genialidade do pintor holandês.
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O TEXTO ACIMA é uma resenha da editora no Brasil, LP & M. Meu comentário é menor: muita gente não sabe que Van Gogh estudou teologia, foi pastor e missionário entre mineiros pobres. Pouquíssimos, ainda, sabem que Vincent foi uma grande influência para Henri Nouwen, cuja interpretação da fé cristã é muito, muito artística. Assisti em Maio a uma lecture
no St. Michael's College, na Universidade de Toronto de uma ex-aluna de Nouwen de um curso que ele deu em Yale sobre a espiritualidade de Van Gogh muitos anos atrás . Chorei muito ao vê-la e ouví-la, sempre muito apaixanada por van Gogh e Nouwen. Mais ainda por Jesus.

O que o pintor dos girassóis sonhava era pregar o evangelho. " Já que não soube pregar o evengelho, vou pintá-lo ", ele disse numa de suas cartas .

O site da Sociedade Henri Nouwen é ilustrado com os quadros de Vincent.
Leitura para a mente e o coração.

Gerson

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Aprendendo com os Lírios

Meu amigo Fernando Oliveira me emandou essa meditação, de Anselm Grun, uma autor sempre edificante e simples. Enjoy it!
Abraço do

Gerson


Olhai os lírios do campo: não trabalham nem fiam. E eu vos digo que nem Salomão com toda sua glória se vestiu como um deles". O que nos diz ainda hoje este ensinamento de Jesus, conforme o "Sermão da Montanha" narrado por Mateus?

Certamente Jesus já conhecia pessoas que, por pura preocupação, andavam o dia todo cansadas, correndo atrás do trabalho com medo de perder um possível lucro. Poderia não ser o suficiente para a vida o que estavam lucrando. Jesus nos apresenta o exemplo dos lírios do campo. Suas vestes são mais belas do que as de Salomão, que tinha a seu serviço muitíssimas pessoas. O filósofo ateu Ernst Bloch acha que esta parábola de Jesus mostra seu romantismo econômico; que Jesus não tinha noção das interdependências econômicas. Mas Jesus recusava-se a identificar a vida com o trabalho. A vida é mais do que o trabalho. A vida é também usufruir agradecido do que cresceu no campo, e também na roça de minha alma. A pessoa se preocupa com sua comida e vestuário. São as motivações básicas de seu trabalho.

Mas, antes de ganharmos com nosso trabalho a comida e a roupa, deveríamos ver que Deus nos dá alimento e vestuário de graça. O vestuário consegue destacar mais ainda a beleza que Deus deu ao ser humano. Mas não consegue tornar belo um ser humano feio. A verdadeira beleza das pessoas vem de Deus, assim como vem de Deus a beleza dos lírios. Antes de nos pormos a trabalhar, deveríamos notar primeiro o que Deus nos dá de presente dia após dia. Então o trabalho ficará dentro de seu exato limite. Ele não nos escravizará, mas será expressão de nossa criativiadade. Ele não será produto do medo, mas brotará de nós por prazer de criar. Ele faz parte de nossa vida, também com suas dificuldades. Mas ele pára de governar nossa vida.

(Anselm Grün)

29.6.06

Levando nossa cruz


Levando nossa cruz



“ Então disse Jesus aos seus discípulos : Se alguém quer me seguir, negue-se a sim mesmo, tome sua cruz e siga-me “.



Mateus 16.24



Quando ouço essas palavras do nosso Mestre e Senhor penso no quanto temos negligenciado o seu significado e importância. A Cruz é central na vida cristã. Ser discípulo de Jesus de Nazaré é imitar seu exemplo – e ele levou a sua cruz! O que ele quis ao usar esse símbolo terrível, pois a cruz era o instrumento que os romanos empregavam para executar os piores criminosos, sem duvida alguma era deixar claro que o discipulado, isto é, viver como seu aluno, seu seguidor, seu discípulo, traz consigo muito sofrimento. Não é qualquer sofrimento. Não é, por exemplo, sofrimento que resulta de pecado. Não é castigo, portanto. É condição de transformação. É sofrer por fazer que deve ser feito. Fazer o que ele faria com a miséria e a dor da condição humana. São aquelas dificuldades que nos mudam, moldam, quebram ... até a morte. Levar a cruz é morrer. Diariamente.



Essa verdade é tão forte e tão escamoteada no “ evangelho “ de hoje, sobretudo o da TV. Falar de morte e pedir dinheiro para manter o “ show “ religioso não combina, ora ! Falar de auto-negação e sacrifício pessoal é falar de coisas que as pessoas não querem ouvir. As pessoas querem uma “ casa no campo “, como cantou Elis, não uma cruz no morro... Mas isso é o básico da caminhada cristã! Negar isso é negar o ABC, o mínimo do discipulado. “ Quem quiser me seguir...” Aceitar a cruz é aceitar o que Deus nos dá: “ pode ser nossas limitações pessoais, não ter recursos para estudar, uma deficiência física, sofrer sob depressão, conflitos familiares ... nada disso resulta de nossas escolhas, ninguém deliberadamente deseja essas coisas. Podemos, contudo, negá-las, rejeitá-las ou abraçá-las como sofrimento que nos transforma “, ensina Henri Nouwen.


Diariamente podemos perguntar a nós mesmos e a Jesus o que representa auto-negação e levar nossa cruz naquele dia. Talvez seja perdoar. Dar a outra face. Andar mais uma milha. Cada dia traz seu desafio de discipulado. Todos os dias podemos seguir a Jesus ou não. A escolha é nossa. Negar nossa vontade de prazer e “ boa vida “ e assumir a nossa cruz dói mas nos torna gente mais parecida com Jesus. Nos mata, mas nos ressuscita com Ele. Amém.


Vosso servo, pr. Gerson